Nossa História

 

UMA PARÓQUIA 

As expressões religiosas, o misticismo e a fé são traços fortes da alma humana na cultura de Lauro de Freitas. Por sermos um País de tradição e cultura cristã, tendo os Padres Jesuítas como os principais mentores da propagação desta fé, nos primórdios de nossa sociedade, muitos destes traços podem ser observados ainda hoje em nossos costumes.

Segundo o Historiador Francisco de Senna, em palestra proferida pela passagem dos 30 anos de emancipação municipal, inicialmente os Jesuítas fundaram nesta margem de cá do rio Joanes a aldeia de São João, logo após a chegada da Companhia de Jesus às terras brasileiras, entre os anos de 1558 e 1578, ano provável de fundação da nova freguesia, com orago dedicado a Santo Amaro de Ipitanga (Água vermelha em Tupi).

O Santo possui um hino próprio, adaptado em outra melodia composta por Dona Jozelita, já falecida. Existem na Igreja Matriz duas imagens sacras do monge Beneditino, em diferentes tamanhos. A imagem maior, obra primorosa do Barroco da Arte Sacra, fica no nicho do altar principal. Os mais tradicionais devotos tratam respeitosamente o santo de “O velho”, em sinal de respeito ancestral. Há uma lenda sobre as peripécias de Santo Amaro correndo de boca em boca na cidade: contam-nos os Paroquianos que, em tempos passados, mudou-se a posição da imagem, voltada para o rio Ipitanga, colocando-a voltada para a praça. Contrariando essa mudança, o Santo aparecia voltado à posição original!…

É sempre bom lembrar que, no passado, a irmandade do S. S. de Santo Amaro, composta por leigos e fiéis agregados a esta irmandade, organizava festas, procissões, novenas e administrava os bens patrimoniais da Igreja, dentre outras atribuições. Esta irmandade, que hoje não mais existe, era composta por homens influentes e rivalizava-se com outra irmandade igualmente destacada, a Irmandade de São Miguel Arcanjo, que para o pesar de todos teve furtada a sua imagem na Matriz em 1974, até hoje não recuperada.

Outras devoções também exerceram grande influência na vida espiritual da comunidade. A devoção a Nossa Senhora das Dores, bela imagem de roca existente na Igreja Matriz, tem seu próprio altar. No passado, a devota Maria L. Pires foi sepultada em jazigo perpétuo aos pés da Santa. Nossa Senhora do Carmo também foi uma devoção bastante presente no coração dos fiéis, em especial as mulheres. Festejada a 16 de julho, já teve nos áureos tempos. Em sua irmandade de fiéis, senhoras como D. Gersonita Angélica da Silva, dentre outras, que organizavam muito animadas noites em seu louvor.

Outra irmandade feminina era a do Sagrado Coração de Jesus, formada por idosas senhoras da comunidade laurofreitense. Usam fitas alusivas à sua devoção, de cor vermelha, orgulhosamente colocadas no pescoço. Além de freqüentarem e participarem das missas na matriz, elas desenvolvem outras atividades ligadas à fé: círculo de orações, visita de caráter humanitário a pessoas enfermas, orações por graças alcançadas, etc…

Além das irmandades femininas. As masculinas também já tiveram participação destacada na sociedade local. As irmandades do Santíssimo Sacramento de Santo Amaro do Ipitanga e de São Miguel Arcanjo desempenharam papéis sociais importantes, como suporte para o catolicismo. A Irmandade do S.S. de Santo Amaro era formada por homens. Na festa do padroeiro, encarregavam-se de preparar a animação e dar brilho à festa. Na procissão, vestidos a caráter, conduziam o andor do Padroeiro, cuidavam dos funerais dos seus membros, das missas e ficavam responsáveis pela administração dos bens patrimoniais da Paróquia (terras foreiras à Igreja).

A outra irmandade de São Miguel Arcanjo rivalizava-se com a do Padroeiro nos áureos tempos. As transformações verificadas na estrutura social e o crescimento e ascensão de outros cultos e religiões na cidade, além de outros fatores, determinaram o fim desses grupos, restando hoje somente a Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, mas mesmo assim, bem aquém do esplendor de outrora.

Outras festas religiosas também assumiam destacada importância em Lauro de Freitas. A Festa de Santa Luzia (Virgem Mártir de Siracusa) foi, em tempos remotos, uma festa de grande apelo popular. No dia 13 de dezembro, na Igreja Matriz, a festa era animada, vinham romeiros de Itapuã, em caravanas, com a imagem da Santa, rezavam missa e depois caiam no samba de roda.

 

Fontes: Cartilha histórica de Lauro de Freitas, editado pela Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas, livro Jerônimo Gombé & Santo Amaro de Ipitanga de Terezinha da Glória O. Magalhães

 

MONUMENTO HISTÓRICO

A rigor, o único monumento de relevante valor histórico e artístico existente em Lauro de Freitas é a Igreja Matriz de Santo Amaro de Ipitanga, localizada no extremo da praça principal, na sede do município, foi edificada no ponto mais alto da antiga Vila e sua volumetria emerge do casario, com cemitério murado, do lado direito.

 

 

O edifício, de elevado valor monumental, é tombado pelo SPHAN sob n.º 233 do livro de História, folha 30 e sob o n.º 300 do livro de Belas Artes, folha 63, ambos em 31 de janeiro de 1944.

Segundo o Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia – IPAC-BA – vol. II, o edifício “apresenta planta de nave única, com galerias laterais muito altas, superpostas por tribunas. Possui duas capelas laterais. A cobertura em vários níveis, tem terminação do tipo beira-seveira. A fachada caracteriza-se por suas torres atarracadas recobertas por telhados de quatro águas e frontão singelo de volutas com óculo circular. A portada de arenito é terminada por um frontão interrompido. Ladeiam a portada, duas janelas com grades de ferro e cercadura de arenito. O interior, alterado na reforma realizada em 1975, conserva uma barra de azulejos que envolve toda a nave e capela-mor, totalizando 117 m² de área. Os da nave são do tipo tapete e os da capela-mor são de motivos avulsos. A capela-mor possui um altar do século passado com nicho central e imagem de Santo Amaro. Merecem destaque as imagens de Senhor Morto e Nossa Senhora das Dores (roca). A igreja possui bela pia batismal e cinco de água benta, todas em lioz. Em cantaria de arenito são confeccionadas cercaduras de vãos, sepulturas do piso da nave, bacias de púlpitos e tribunas. A nave é telha-vã, mas as capelas e batistério são recobertas por abóbadas de berço em madeira”.

“A portada desta igreja, como observa Bazin, é do tipo encontrado em monumentos do final do século XVII. Outras matrizes do Recôncavo apresentam a mesma disposição de um corpo central flanqueado por galerias abertas para o exterior e superposta por tribunas como as igrejas de São Bartolomeu de Maragogipe, Nossa Senhora do Monte do Recôncavo, ambas do final do século XVII. A Matriz de Encarnação de Passé, de meados do século XVII, ainda não apresenta arcaria, mas pilares quadrados. Um elemento interessante de sua planta é a presença de duas capelas laterais simétricas, resíduos do falso transepto das igrejas jesuíticas luso-brasileiras. Neste caso, as capelas intercomunicantes deram lugar às galerias abertas para o exterior. As mesmas capelas laterais aparecem em duas igrejas do final do século XVII: São Tomé de Paripe, próxima a Salvador e Nossa Senhora do Socorro, na aldeia jesuítica de Gesú, Sergipe. Mas nestes exemplos ainda não existem galerias, nem tribunas. Outro edifício que”. apresenta a mesma disposição é a Matriz de Santo Amaro. Os silhares de azulejos da nave capela-mor são dos mais extensos existentes na arquitetura luso-brasileira e, segundo Santos Simões, um dos mais respeitados estudiosos da azulejaria do mundo, datam de 1740/50″.

“São escassos os dados sobre a cronologia deste monumento. Germain Bazin, com base ao tipo de portada, admite que esta igreja seja do terceiro terço do século XVII, mas não há comprovação histórica desta hipótese”.

“1759 – José Antônio Caldas na sua relação de freguesias do Estado da Bahia assinala a de Santo Amaro de Ipitanga. Possuía a freguesia, na época, 622 fogos e 4.722 almas”.

“Edifício com estrutura de paredes auto-portantes de alvenaria mista de pedra e tijolo que suportam tesouras de madeira do telhado. Merece destaque as duas galerias laterais de arcos plenos, em tijolo”.

Segundo Santos Simões, no livro intitulado Azulejaria Portuguesa no Brasil. “No corpo da igreja há um silhar corrido, de 13 pedras de altura, do tipo ornamental azul, de vasos e golfinhos em painéis de 6 x 5, com separação entre si de anjinhos portadores de cestos floridos. Os painéis estão enquadrados por barra de 2 azulejos de folhas encurvadas, vulgares e ainda mais 1 azulejo fazendo a cercadura exterior. Na parte inferior outro azulejo à guisa de rodapé, forma o silhar que é, assim, dos mais completos e também dos mais vastos que conheço. Contei, no conjunto, cerca de 5.200 azulejos o que corresponde a 117 m²!”.

Na capela-mor o silhar azulejado tem de curioso o ser composto de azulejos de figura avulsa, de estrelinhas, agrupados como que em painéis, separados por barras ao alto de azulejos de anjinhos, iguais aos da nave. O conjunto é enquadrado por cercadura de acantos.

Os azulejos de figura avulsa são dos tipos mais comuns – barcos, pássaros, homens fumando cachimbo, coelhos, etc. Podem ser, tanto os da nave como os da capela-mor, de um largo período centrado em 1740/50.

Fontes: Cartilha histórica de Lauro de Freitas, editado pela Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas, livro Jerônimo Gombé & Santo Amaro de Ipitanga de Terezinha da Glória O. Magalhães

 

 

BRASÃO OFICIAL DA PAROQUIA

 

O município de Lauro de Freitas comemora sua emancipação política em 31 de julho. Em 2009, quando festejou os 47 anos, na missa em memória de Santo Inácio de Loyola e comemorativa da data, nossa paróquia, estendendo as comemorações pelos 400 anos de sua existência, lançou seu brasão oficial, modificando também sua bandeira, papel timbrado e carimbo-chancela oficial.

Após a Santa Missa, Pe. Jair agradeceu a ajuda da Prefeitura, que disponibilizou seu pessoal para organização e apresentação multimídia sobre o brasão, confirmou a continuidade da parceria Município e Igreja em favor do bem de nossa gente, recordando a importância histórica da atuação da Igreja na fundação e consolidação do Município, que teve início nas Missões Jesuíticas.  Na oportunidade, assinalou a feliz possibilidade de celebrarmos numa única liturgia, a emancipação do Município e a Memória do Santo fundador dos Padres Jesuítas, Santo Inácio de Loyola.  Por isso, consideramos essa Santa Missa parte do calendário oficial da cidade. Logo, em discreta cerimônia, foi descerrada a tela com o brasão, seguida da assinatura no Livro de Tombo, do termo do lançamento do novo carimbo-chancela. Assinaram o termo: nosso Pároco, o Vice-Governador, a Prefeita, o Vice-Prefeito, Vereadores, Secretários e o Povo de Deus, e procedeu-se uma exposição multimídia apresentando, passo-a-passo, o significado do brasão.  Na saída do templo, os participantes receberam um folder com a história da paróquia, como se encontra neste site e a apresentação do brasão, como se lê abaixo:

“Criado por Raphael Loyola e aprovado em 19 de maio de 2009 por Dom Geraldo Majella Cardeal Agnello, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil, o brasão apresenta-se com os traços comuns aos mais recentes brasões criados por ele para as paróquias desta Sede Cardinalícia. O escudo cortado traz brocante na metade inferior, partida em ouro e azul-turquesa – cores desta arquidiocese, o globo encimado pela Cruz.

A parte superior tem o fundo composto por três faixas horizontais nas cores azul-claro, vermelho e marrom. A primeira faixa traz sobrepostas cinco cruzes gregas de ouro, mesmo metal que delimita a segunda faixa. De cada uma delas pende um grupo de três gotas vermelhas. Na terceira faixa apresenta-se brocante uma estrela azul-claro, com cinco pontas.

Arrematando o escuto, uma flâmula branca com a inscrição latina: “Domine, da mihi hanc aquam!” (“Senhor, dá-me desta água!”).

A cor azul-claro recorda a habitação divina, destino último da humanidade redimida. As cruzes simbolizam as Santas Chagas do Redentor, que vertem o sangue que dá vida nova aos que acolhem sua Palavra. A profusão dessas fontes salutares dá origem ao rio caudaloso, simbolizado pela cor vermelha, que irriga a terra, representada pela cor marrom-terra, tornando-a fecunda. Aquela mesma “água vermelha” nomeia historicamente o território paroquial, grafado “ipitanga” em Tupi-Guarani. A estrela azul-claro sobre a terra evoca a presença da Virgem-Mãe, ideal da humanidade e modelo da Igreja, única agraciada antecipadamente pela redenção que seu Filho e Senhor realizaria na Cruz.

O lema foi inspirado no escrito joanino do evangelho, conforme o que se encontra no IV Capitulo, versículo 15, tornando-se um dos clamores mais preciosos do Povo de Deus.

 

PADRES EM SANTO AMARO DE IPITANGA

Em toda a existência da Freguesia de Santo Amaro de Ipitanga muitos párocos foram figuras carismáticas que deixaram suas marcas e estilos registrados na vida de nossa comunidade, através dos séculos.

O registro mais antigo junto à Cúria e Arquidiocese é o registro de crismas e sacramentos de 1689, assinado pelo Pe. Joseph Borges de Barros, embora constem casamentos realizados em 1628.

No século XVII temos os seguintes padres: Pinheiro Aleixo, Antonio Figueira, Francisco, João Carvalho, João Rodrigues de Figueiredo, José Pereira de Aguiar e seu coadjutor Manoel Rodrigues da Silva de Figueiredo e o Con. Manoel Rodrigues Ramos.

Em 1850 tomou posse o Pe. Juvêncio Dias de Andrade, com destacado papel político, inclusive tendo permanecido por mais de 30 anos na paróquia, na época com sede junto à Igreja de N. Sra. da Conceição em Itapuã.

O Pe. José Ramos de Maia permaneceu aqui de 1893 a 1930 e foi um dos vigários mais carismáticos que tivemos, com seus costumes e personalidade, tendo morado inclusive na antiga cidade de Santo Amaro de Ipitanga. Famoso pelos cavalos que utilizava nas celebrações distantes da cidade. Pe. Monteiro de Carvalho assumiu a paróquia após o falecimento de Pe. Maia até a década de 60.

Por um período passaram por aqui alguns padres, na maioria das vezes como vigários ou ajudantes, inclusive Pe. Leal, que organizou um Ofício em memória de Santo Amaro de Ipitanga, André Deusele, Amadeu Ribeiro e Pe. Edmilsom, no período de 71 a 73, sendo substituído por Com .Jean Joseph Victor Ghislain Abel (Pe. João Abel), que também permaneceu por três décadas. Pe. João se caracterizou pela concretização de novas capelas, igrejas e centros comunitários, a reforma da Igreja Matriz, restauração do altar-mor e novas divisões paroquiais.

Pe. Antonio Sérgio permaneceu na paróquia de outubro de 2004 a abril de 2009. Caracterizou-se pelo zelo na liturgia; na formação das pessoas em geral, principalmente as que ajudam na missa; atento a todas as pastorais, tendo um carisma especial em relação à juventude, formando a Pastoral Para a Juventude. Reativou capela, fez grandes reformas e intronizou sacrário em duas comunidades. Idealizou e construiu o Espaço João Paulo II.

Pe. Jair Arlêgo tomou posse em abril de 2009, passando a se intitular como Pe. Jair de Ipitanga, devido ao vínculo que se estabeleceu nesta paróquia. Muito zeloso de todos os aspectos da liturgia, recuperou várias peças e introduziu novos símbolos, fazendo o brasão, selo e bandeira de Santo Amaro de Ipitanga. Apesar de seus compromissos junto à Cúria e administração da paróquia, sempre arruma um tempo para atendimento às pastorais e orientação espiritual. Deu prosseguimento em obras e estabeleceu na agenda do clero missas nos domingos em todas as comunidades.

 

ANO JUBILAR

Estamos colocando alguns dos textos feitos para o Ano Jubilar, desde o folder da Festa do Padroeiro que deu inicio ao citado ano; a proclamação feita no dia 15 de janeiro de 2007; um trabalho de síntese apresentado na reunião do clero diocesano e o texto do folder da Festa do Padroeiro de 2008, quando houve o encerramento formal.

 

 

TEXTO DE ABERTURA DO ANO JUBILAR – folder da Festa do Padroeiro 2007

Estamos começando mais uma Festa do Padroeiro da Paróquia e do nosso Município. Esta será mais especial ainda. Queremos começar bem o Ano Jubilar, um período de muitas graças e tão especial para todos nós, comemorando o início dos festejos pelos quatrocentos anos de nossa Igreja Matriz, concluindo em janeiro de 2008. Quatrocentos anos de história de um povo que passou, que marcou, que deixou frutos que permanecem vivos, que durante este tempo vem construindo o Amor entre os Homens. Queremos marcar de uma forma especial fazendo, ainda, mais presente o amor de Cristo entre os homens e para os homens.

Estamos enfocando o tema A MISSÃO, unido com nosso Cardeal Arcebispo, D. Geraldo Magella, que pede à sua Igreja particular o tempo forte de missão. Queremos nesta ocasião refletir o nosso papel de Discípulos e Missionários de Jesus Cristo. Queremos que todos vivam o espírito do Ano Jubilar como um convite a uma prática de Caridade com o próximo, como Cristo nos convida no seu Evangelho: “Tive sede e me deste de beber…”.

Venha você também participar deste momento. Venha fazer parte da família da paróquia do seu coração, construindo o AMOR ENTRE OS HOMENS.

Que do alto do seu altar Santo Amaro de Ipitanga possa nos abençoar, nos guardar de todos os males e trazer a Paz de Cristo entre os Homens de Boa Vontade.

Em Jesus e Maria

PROCLAMAÇÃO DO ANO JUBILAR DA IGREJA MATRIZ SANTO AMARO DE IPITANGA

Estamos iniciando o Tempo Santo do Ano Jubilar. Um ano de conversão, de revisão do nosso papel de cristão no mundo, de ser missionário, fazer presente o amor de Cristo em nosso meio.

Nossa Igreja Matriz fará quatro séculos em janeiro de 2008, 400 anos que moldaram este chão, estes azulejos, da história de um povo que marcou, que deixou frutos que permanecem vivos, um tempo de construção de amor entre os Homens.

Estas paredes se soubessem falar contariam muitas histórias, de alegrias e tristezas. Histórias de Santos e de Homens que construíram um templo de amor e de esperança.

Quantos grupos passaram por aqui e que hoje não temos mais nenhuma informação? Onde estão os homens da Irmandade de Santíssimo Sacramento de Santo Amaro e São Miguel Arcanjo, as mulheres dos grupos de devoção a Nossa Senhora das Dores, de Nossa Senhora do Carmo e Santa Luzia? Que eles nos ajudem, com a intercessão de Santo Amaro de Ipitanga e São Bento na nossa vivência deste Tempo Santo.

Que Deus nos abençoe para que consigamos cumprir todos os passos para ganharmos a indulgência prometida. Que se faça a proclamação do nosso Ano Jubilar, pela encarnação do Vosso Filho, Jesus Cristo, que vive e reina na Unidade do Espírito Santo. Amém.

Lauro de Freitas, 15 de janeiro de 2007

 

SÍNTESE DO ANO JUBILAR

1 – HISTÓRICO DA PARÓQUIA SANTO AMARO DE IPITANGA

A instalação da Missão de Santo Amaro foi em 1608, fruto do trabalho missionário conduzido pelos padres jesuítas.

Nossa Igreja Matriz começou sua construção entre 1577 e 1584, segundo alguns historiadores, pelos padres da Companhia de Jesus, ainda sobre a orientação do Pe. José de Anchieta . A Igreja possui as feições atuais desde o início do século XVIII.

Segundo alguns historiadores, a Freguesia tinha largo e imenso território, começando no bairro hoje denominado Boca do Rio, município de Salvador, indo até o Rio São Francisco. Algumas outras fontes históricas relatam que começava no bairro de Itapuã (Salvador) e terminava nas margens do Rio Real, sendo desmembrados conforme a consolidação de suas comunidades. Há referência em São Cristóvão, Sergipe, de uma paróquia como sendo filha de Santo Amaro de Ipitanga.

Em função do rápido crescimento ocorrido a partir da década de 70 em Lauro de Freitas, houve desdobramento ou criação de novas paróquias.

O interior da Igreja conserva um conjunto de azulejos que envolve toda a nave e capela-mor, foram assentados na metade do século 18. Hoje é considerado um dos maiores painéis de azulejos do mundo. É patrimônio histórico da Bahia desde a década de 40, houve uma reforma realizada em 1975 e em 2006 foi feita a iluminação cênica da área externa.

2 – PREPARATIVOS PARA O ANO JUBILAR

A partir de maio de 2006 comecei a sensibilizar os paroquianos para o ano que viria – nas reuniões e homilias. Nas reuniões quinzenais do Conselho Paroquial, em junho, apresentei e discuti documento sobre o significado do ano jubilar e suas características especiais e pedi que cada pastoral, movimento e comunidade formulassem seus objetivos, suas perspectivas e formas de trabalho para a construção do projeto específico, englobando, portanto, toda a paróquia.

A partir do levantamento destes dados, o estudo de sua viabilidade pelos membros participantes, foi construído o projeto do Ano Jubilar, já determinando coordenadores de cada equipe e suas responsabilidades.

O objetivo básico deste ano era a necessidade de consolidar a paróquia como uma comunidade efetiva, aprendendo a trabalhar junta para a concretização do projeto, sendo e tendo papel determinante nesta evangelização. E que o aprendizado ocorrido durante esta missão se manifestasse nos seus grupos de origem quando do término do ano propriamente dito.

3 – PROGRAMAÇÃO

A proclamação da abertura do ano jubilar foi feita por D. João Carlos Petrini, dia 15 de janeiro de 2007, no encerramento do novenário da festa do padroeiro. Durante este festejo foi apresentada à comunidade paroquial os eventos programados do ano:

Formação:

02 a 04.02 – Seminário do Espírito Santo

26 e 27.05 – Congresso dos Jovens

18 e 19.08 – Congresso da Família

01.09 – Show católico, transferido para 15.01.08.

27.10 – Congresso Social

24 e 25.11 – Congresso Catequético

05 a 12.12 – Peregrinação ao Santuário de N. Sra. Aparecida (SP)

Lazer:

16.06 – Arraiá do Amaro

09 a 11.11 – Va. Feira da Paróquia

Atividade diária:

Adoração ao Santíssimo Sacramento, das 8 às 18h.

Atendimento a confissões.

Atividades mensais:

Vigília na primeira sexta feira de cada mês.

Igreja Peregrina – quando as paróquias originadas de Santo Amaro de Ipitanga nos visitam, com programação determinada.

Independente da programação específica do ano, todas as comunidades festejariam seus padroeiros; os tempos litúrgicos de Quaresma e Advento festejados como atividade paroquial, cuidados especialmente; as pastorais e movimentos dedicando tempo em seus trabalhos para discussão e participação nos eventos.

4 – CONGRESSOS, SEMINÁRIOS, VIGÍLIA E ADORAÇÃO

O conteúdo de cada atividade foi determinado pela equipe específica em reunião com o C.P.P. (Conselho das Pastorais da Paróquia), contando com palestrantes de Salvador e região metropolitana.

Para a realização dos congressos e seminários houve distribuição e estudo de material de como preparar esse tipo de atividade. Em cada congresso tivemos uma média de participação de 150 a 200 pessoas, inclusive de outras paróquias.

As vigílias foram realizadas inicialmente na Igreja Matriz e apresentaram momentos fortes de evangelização.

5 – FESTAS DO PADROEIRO SANTO AMARO DE IPITANGA

O tema geral da festa de 2007 foi A Missão: Ser Discípulos e Missionários de Jesus Cristo e, durante o novenário, houve a participação de todas as paróquias originadas a partir da nossa, acompanhadas de seu pároco como o pregador da noite.

A Missa Solene foi presidida por D. João Carlos Petrini, Bispo Auxiliar, quando houve a proclamação do Ano Jubilar. Após a Missa Solene houve carreata levando a imagem de Santo Amaro à Capela São João Batista, reativando assim seu funcionamento.

O tema geral da festa de 2008 foi 400 anos Construindo o amor entre os homens, sendo a missa de abertura celebrada por Mons. José Edmilson Macêdo, antigo pároco. Em todas as noites foram feitas homenagens a Irmandades extintas assim como a santos não mais comemorados como antigamente. Houve a inauguração do Espaço João Paulo II, junto ao Centro Comunitário Santo Amaro de Ipitanga, com a santa Missa e show com Ir. Carol.

O encerramento do Ano Jubilar foi com a Missa Solene, presidida por D. Geraldo Magella Cardeal Agnelo e, logo após, houve a tradicional carreata terminando com a inauguração do PUSAI – Polo Universitário Santo Amaro de Ipitanga.

Na noite do dia 15 houve um show na Praça da Matriz com o grupo Cantores de Deus e EME XXI (Carla Visi, Márcia Short e Kátia Gima), com muita participação popular, inclusive de outros municípios.

6 – PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE E DO MUNICÍPIO

Alguns fatores foram determinantes para o sucesso do Ano Jubilar.

1 – A Paróquia como um todo participou do processo desde o seu início, através do seu coordenador de comunidade, de pastoral ou movimento. Todos se sentiram vivos e representados.

2 – A alegria pela adoração do Santíssimo diariamente, a reativação da capela de S. João Batista, a reforma da capela de S. Felipe e S. Tiago. As procissões (de cada padroeiro, Ramos e Corpus Cristi) realizadas com participação popular expressiva.

3 – A confecção da camiseta com o símbolo do Ano Jubilar, com preço acessível, usada durante o ano inteiro, permitiu que toda a cidade percebesse o acontecimento. Esta camiseta ainda é vista normalmente nas ruas, com dignidade, ocorrendo ainda novas encomendas.

4 – A retomada de antigo projeto da prefeitura para a ocorrência de um plebiscito para a mudança do nome da cidade.

5 – Mídia: convites a outras paróquias realizados também por email, divulgação através da Rádio Excelsior, iniciativa da prefeitura em confeccionar outdoor comemorativo aos 400 anos, inclusive na Estrada do Coco. A utilização do site da paróquia na divulgação de atividades nas comunidades e festejos.

6 – A viagem para o santuário de Nossa Senhora Aparecida e o show com os Cantores de Deus, antigos sonhos dos paroquianos.

7 – PUSAI – Polo Universitário Santo Amaro de Ipitanga, parceria firmada entre a Prefeitura Municipal e o Governo do Estado, inaugurada dia 15 de janeiro, como forma de homenagem e resgate de nossa história.

7 – FRUTOS DO ANO JUBILAR

Expressivo aumento do número de fiéis e integrantes em pastorais e movimentos ligados à evangelização; melhoria na formação teológica, litúrgica e de conhecimentos ligados a trabalhos com grupos e comunidades; a identidade do papel de cada paroquiano mais definido; orgulho de participar de uma comunidade paroquial; conhecer as demais comunidades e seus membros.

Um fato facilmente mensurável, fruto do Congresso de Jovens realizado em maio de 2007, com 150 jovens, foi a realização de gincana dos Jovens, durante 2 meses e meio, com freqüência e participação consciente e alegre de 140 pessoas, encerrada em agosto deste ano. Houve um trabalho efetivo de aproximação dos diversos grupos de jovens e suas comunidades, assim como Crisma e Segue-me. Entre outros itens, eles conseguiram, em uma semana, doação de 6.800 peças de roupas e 2 toneladas de alimentos, tendo sido distribuídos pelos próprios jovens a orfanatos e asilos carentes do município. No retiro feito para eles na comunidade de Taizé, em Alagoinhas, tivemos a participação de 100 jovens. O encerramento da gincana foi uma apresentação teatral de quatro passagens bíblicas montadas e realizadas pelos jovens, aberta à comunidade em geral, no Centro de Cultura municipal.

Percebemos alteração no comprometimento em geral para as atividades, na iniciativa de propor soluções para os problemas da alçada de uma determinada comunidade, na qualidade dos casais que estão participando do E.C.C. (Encontro de Casais com Cristo)

 

TEXTO DE ENCERRAMENTO DO ANO JUBILAR – folder da Festa do Padroeiro 2008

Estamos concluindo o nosso Ano Jubilar. Ele nos trouxe muitas alegrias, muitas realizações. Conseguimos diariamente fazer a Adoração do Santíssimo e a oração do Terço em nossa Igreja Matriz. Mensalmente, realizamos a Vigília, marcando a nossa evangelização. Estes momentos foram a base para o crescimento do Homem Novo, nascido da Fé amadurecida durante o percurso. Os eventos foram realizados com enorme apoio dos paroquianos, todos irmanados no espírito do nosso lema jubilar: 400 anos construindo o Amor entre os Homens.

Minha alegria não é pelas pedras que constroem esta Igreja estarem fazendo 400 anos. Minha alegria é pela caminhada que ocorreu neste período, neste ano em particular. É pelas pessoas que firmaram o alicerce da Fé, que caminharam, que se doaram para manter a nossa Igreja Matriz com uma beleza em sua arquitetura e dentro do nosso coração, que é a mesma Igreja presente nesta terra de outrora Ipitanga, hoje Lauro de Freitas, com o mesmo objetivo, procurando e revelando o rosto de Cristo no outro, que promove a Paz.

Estamos abrindo novo ciclo de vida da Igreja Matriz: de amor, perdão, oração e evangelização. O início da vivência que este ano especial, iluminado, nos trouxe. Que esta luz continue a brilhar em nossos corações, mantendo a chama do Amor de Deus pelos seus filhos irradiando e ajudando em nossa vida.

Que Santo Amaro continue sempre a abençoar, do seu elevado altar, os que por aqui passam. Que nos ajude a sempre construir e manter o Amor entre os Homens, firmando a Paz em nosso meio, e que nosso Deus nos ampare na caminhada.

Pe. Antonio Sérgio Santos Lopes